28 de setembro de 2010

A religiosidade do ser...

Acredito que todos já tenhamos refletido a respeito da nossa religiosidade, sim, pois cada um crê de uma forma e em algo. E todos devemos ter a liberdade de assim o fazer sem que sejamos criticados ou até mesmo rechaçados por isso. Podendo tratar, por exemplo, de judeus e muçulmanos, do oriente médio a qualquer parte do mundo; indo até crentes e descrentes também em qualquer parte do mundo. A liberdade de expressão, mais que um ideal iluminista, consagrado em muitas constituições governamentais, é um direito social e humano; expressar suas crenças deve ser um ato respeitado tanto por demonstração de educação daqueles que em nada crêem, mas principalmente por seguir a moral indicada por suas religiões dos crentes.
Esse último trecho me leva a outra idéia; a hipocrisia professada nas religiões em geral. É inacreditável a forma como os ‘comandantes’, ou ‘tradutores’ das palavras de um ‘Deus’ falam como se estivessem acima do bem e do mal; como detentores da verdade absoluta sobre o mundo. De uma hipocrisia sem tamanho: enquanto ordenam aos crentes que se desfaçam de seus bens, do pouco que tem, explorando as mentes destes necessitados de um afago, enquanto enriquecem, ou ainda enviam as doações a um Bispo e consequentemente a um Papa explorador que nada conhece da trajetória dos seguidores de suas religiões, que dita regras desconexas da realidade de seu tempo. - Esse parágrafo poderia muito bem ser lido no fim da Idade Média, porém ainda hoje, em pleno século XXI podem ser facilmente observadas, dentre as mudanças ocorridas ao longo do tempo não foi mudado o principal: Se as religiões em suas essências pregam fraternidade e igualdade entre os homens devem ser os primeiros a seguir isso, não deveria existir hierarquia nas religiões, nem arrecadação de dinheiro, muito menos a alienação que encontramos nestes muitos casebres que se intitulam ‘da graça de Deus’, se seu ‘Deus’ é onisciente e onipresente seria ele surdo?
O que parece inacreditável, todavia é o que mais se observa. Em muitas religiões a manipulação aos seguidores ocorre, em muitos âmbitos. A vontade de ter o poder nas mãos e essa possibilidade deturpa os que falam em nome de um ‘Deus’, como se suas palavras fossem verdades absolutas. E assim como trata Montesquieu neste trecho de “O Espírito das Leis”: “É uma verdade eterna: qualquer indivíduo que tenha o poder, tende a abusar dele.” E não há dúvida, basta sair de casa e assistir a missa/pregação [ou seja lá o nome dado], ainda hoje há a alienação e manipulação daqueles muitos ‘papeis em branco’ frágeis e necessitados de alguém que lhes dê respostas. Essas pessoas que detêm o poder do microfone estão na hora certa e lugar certo para expor suas ideias e se unido ao carisma elas serão muito bem aceitas.

Carol Ferraz